Rui Lázaro fala em "devaneios dos governantes" após ser acusado de "interesses" pela ministra da Saúde

Rui Lázaro fala em "devaneios dos governantes" após ser acusado de "interesses" pela ministra da Saúde

A ministra da Saúde sugeriu esta sexta-feira que existem "interesses" por parte do presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar ao pedir a demissão do presidente do INEM. Rui Lázaro disse estar surpreendido com a acusação e não quis entrar nos "devaneios dos governantes".

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Nuno Patrício - RTP

Durante a manhã, Ana Paula Martins disse estar “bastante surpreendida” com o facto de o sindicato exigir a demissão do presidente do INEM. Ver sindicatos “a pedir a demissão de um dirigente da administração pública, de facto parece-me uma coisa extremamente estranha”, afirmou aos jornalistas.

“Não é dessa maneira que a emergência médica melhora em Portugal, bem pelo contrário. E é uma coisa muito surpreendente que seja feita essa declaração por parte do presidente do sindicato, o senhor Rui Lázaro, porque parece que há ali outros interesses que eu ainda não consegui perceber muito bem”, atirou a ministra.

“Mas talvez até seja melhor eu não os perceber”, acrescentou.
Jornal da Tarde | 14 de agosto de 2026

Em entrevista à RTP Notícias, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar disse reagir igualmente “com alguma surpresa” às declarações de Ana Paula Martins, apesar de já ontem o presidente do INEM ter falado em “motivações partidárias ocultas”.

“[Estou] um pouco surpreendido, mas mantemos o nosso rumo, o nosso respeito institucional e não entramos por estes devaneios dos governantes atuais”, frisou Rui Lázaro.

O dirigente sindical assegurou que, “independentemente da postura dos governantes”, está disposto a negociar para evitar a greve convocada.

“Estamos naturalmente abertos ao diálogo. Se a senhora ministra também está, que nos enderece um convite e podemos reunir já amanhã”, garantiu na entrevista à jornalista da RTP Vânia Pereira Correia. Sindicato admite recuar na greve se Governo não retirar ambulâncias
Ainda sobre a acusação lançada por Ana Paula Martins, Rui Lázaro afirmou que “a senhora ministra demonstra hoje ter memória muito curta”.

“Esqueceu-se, por exemplo, que em novembro de 2024, quando todo o país pedia a sua demissão, fomos nós em sua defesa”, afirmou, assegurando que “é contra as vidas que se podem perder que nós nos estamos a manifestar”.

“O que está em causa com esta greve são as consequências gravosas que as medidas anunciadas pelo Governo e pelo presidente do INEM têm para os cidadãos”, insistiu.

Para que a greve seja evitada, o Governo tem de recuar “sobretudo nas medidas que traduzem consequências diretas para os cidadãos, nomeadamente – e a mais grave – a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo”.

“O caderno reivindicativo inclui mais algumas medidas, esta é a mais grave e, se ceder nesta medida, nós consideraremos recuar na greve”, adiantou Rui Lázaro.
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